Na capital mineira, acredita-se que num primeiro momento o nome do tucano vai ser evitado porque outros candidatos já tiveram relação com ele
Por FRANSCINY ALVES
05/10/20 - 13h47
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Diferente de outrora, hoje o deputado federal Aécio Neves é evitado por candidatos tucanos às prefeituras
Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados
Em um tempo não muito distante, candidatos a prefeito pelo PSDB em Minas Gerais disputavam espaço para tirar uma fotografia ao lado do hoje deputado federal Aécio Neves. Já em 2020, não se ouve falar do nome dele em disputas pelo Estado. Quem faz essa análise são políticos do próprio ninho tucano em conversas reservadas com a coluna.
Um interlocutor ainda acrescenta outro fator de preocupação: hoje na agremiação não se tem uma figura nacional e com raízes em Minas que tenha a função de transferir votos. “Cabe muito mais agora ao deputado de cada região apoiar o candidato x ou y. Não se tem mais no PSDB, assim como em outros partidos, a figura de padrinho político”.
Mesmo após ser derrotado nas eleições presidenciais de 2014 por Dilma Rousseff (PT), o tucano havia conquistado espaço entre o eleitorado de centro e direita no país. Contudo, ele viu a popularidade cair após o empresário Joesley Batista, do grupo J&F, ter gravado ele pedindo R$ 2 milhões para o pagamento de advogados. O caso ficou conhecido como a “mala da JBS”. O ex-governador sempre disse que não cometeu nenhum ato ilícito.
Na capital mineira, a candidata da sigla Luisa Barreto ainda não precisou explicar publicamente sobre o fato de pertencer ao mesmo partido de Aécio. Nos bastidores, membros da legenda acreditam que esse momento vai chegar e ela já tem se preparado para responder ataques que podem surgir nessa linha.
Um dos argumentos é de que ela é um quadro técnico da agremiação e que “ajudou” outros governos, como o de Romeu Zema (Novo). Até esse ano, ela era secretária-adjunta de Planejamento e Gestão. Outra justificativa na ponta da língua é de que alguns quadros na corrida pelo comando da PBH têm até mais relação com figuras da legenda do que a própria Luísa.
Entre eles estão o deputado estadual João Vítor Xavier (Cidadania), que deixou o PSDB em abril do ano passado sob a justificativa de “divergências ideológicas”; e Lafayette de Andrada (Republicanos). Ele foi filiado à sigla e durante o governo de Aécio à frente do Estado, ocupou o cargo de superintendente de Assuntos Municipais (2005-2006).
“Em Belo Horizonte, esses ataques por conta do Aécio acabam não ganhando espaço porque muita gente já participou de uma vida política com ele. Agora, no interior isso está sendo usado de forma mais isolada pelo o que identificamos. Então: ok, não se fala de Aécio em BH ou pode usar ele para atacar, mas isso causa um alerta maior: quem hoje representa o PSDB no Estado?”, resumiu uma fonte da agremiação.

Diferente de outrora, hoje o deputado federal Aécio Neves é evitado por candidatos tucanos às prefeituras
Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados
Em um tempo não muito distante, candidatos a prefeito pelo PSDB em Minas Gerais disputavam espaço para tirar uma fotografia ao lado do hoje deputado federal Aécio Neves. Já em 2020, não se ouve falar do nome dele em disputas pelo Estado. Quem faz essa análise são políticos do próprio ninho tucano em conversas reservadas com a coluna.
Um interlocutor ainda acrescenta outro fator de preocupação: hoje na agremiação não se tem uma figura nacional e com raízes em Minas que tenha a função de transferir votos. “Cabe muito mais agora ao deputado de cada região apoiar o candidato x ou y. Não se tem mais no PSDB, assim como em outros partidos, a figura de padrinho político”.
Mesmo após ser derrotado nas eleições presidenciais de 2014 por Dilma Rousseff (PT), o tucano havia conquistado espaço entre o eleitorado de centro e direita no país. Contudo, ele viu a popularidade cair após o empresário Joesley Batista, do grupo J&F, ter gravado ele pedindo R$ 2 milhões para o pagamento de advogados. O caso ficou conhecido como a “mala da JBS”. O ex-governador sempre disse que não cometeu nenhum ato ilícito.
Na capital mineira, a candidata da sigla Luisa Barreto ainda não precisou explicar publicamente sobre o fato de pertencer ao mesmo partido de Aécio. Nos bastidores, membros da legenda acreditam que esse momento vai chegar e ela já tem se preparado para responder ataques que podem surgir nessa linha.
Um dos argumentos é de que ela é um quadro técnico da agremiação e que “ajudou” outros governos, como o de Romeu Zema (Novo). Até esse ano, ela era secretária-adjunta de Planejamento e Gestão. Outra justificativa na ponta da língua é de que alguns quadros na corrida pelo comando da PBH têm até mais relação com figuras da legenda do que a própria Luísa.
Entre eles estão o deputado estadual João Vítor Xavier (Cidadania), que deixou o PSDB em abril do ano passado sob a justificativa de “divergências ideológicas”; e Lafayette de Andrada (Republicanos). Ele foi filiado à sigla e durante o governo de Aécio à frente do Estado, ocupou o cargo de superintendente de Assuntos Municipais (2005-2006).
“Em Belo Horizonte, esses ataques por conta do Aécio acabam não ganhando espaço porque muita gente já participou de uma vida política com ele. Agora, no interior isso está sendo usado de forma mais isolada pelo o que identificamos. Então: ok, não se fala de Aécio em BH ou pode usar ele para atacar, mas isso causa um alerta maior: quem hoje representa o PSDB no Estado?”, resumiu uma fonte da agremiação.
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